quarta-feira, janeiro 28, 2026

Caso Orelha: Defesa pede cautela ao compartilhar imagens de suspeitos



Advogado dizem adolescentes estão sofrendo disseminação de desinformação, ameaças e ataques virtuais.

Os advogados que representam dois dos adolescentes investigados pela morte do cachorro Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, pediram cautela e responsabilidade no compartilhamento de imagens e informações sobre o caso. As informações são do jornal O Globo.

Em nota divulgada na terça-feira (27), a defesa afirmou que a exposição de menores de idade nas redes sociais viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e tem provocado um “linchamento virtual” dos jovens e das famílias deles.

Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte destacaram que informações repassadas pela Polícia Civil de Santa Catarina em entrevista coletiva indicam que não existe vídeo ou imagem que comprove o momento das agressões contra o animal.

Na nota, os advogados também esclarecem que os dois adolescentes por eles defendidos não aparecem em um vídeo que circula nas redes sociais mostrando um grupo de rapazes. Conforme a defesa, esse material tem contribuído para a disseminação de desinformação, ameaças e ataques virtuais.

“A exposição irresponsável da identidade e da imagem dos jovens nas redes sociais – infringindo o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - assim como de suas famílias, exige que se reitere a necessidade de que se cumpram os ritos formais do processo pelas autoridades competentes, se analisem as evidências concretas para que, então, sejam declarados e punidos os culpados”, afirmam os advogados, em nota.

A defesa pede que a apuração siga o devido processo legal até a identificação e responsabilização dos suspeitos, ressaltando que segue colaborando com as autoridades para o esclarecimento do caso, classificado como “um triste episódio”.

Familiares de adolescentes investigados 

O caso é investigado pela Polícia Civil de Santa Catarina, que apura o envolvimento de ao menos quatro adolescentes na agressão ao cão Orelha, considerado mascote da Praia Brava. O animal foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata, chegou a receber atendimento veterinário, mas não resistiu e foi submetido à eutanásia. As investigações avançam com análise de imagens de câmeras de segurança e depoimentos de moradores da região

Paralelamente, familiares de adolescentes investigados foram indiciados por coação no curso do processo. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, com a apreensão de celulares e outros dispositivos eletrônicos para perícia. A Polícia informou já ter ouvido mais de 20 pessoas e analisado centenas de horas de imagens relacionadas ao caso.

A repercussão do episódio também gerou ameaças e ataques virtuais contra pessoas confundidas com familiares dos suspeitos. Um casal de Santa Catarina registrou boletim de ocorrência após a imagem do filho, menor de idade, ser associada de forma equivocada ao caso. As autoridades reforçam que, por envolver adolescentes, a divulgação de nomes e imagens é proibida por lei.

via.DN

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